sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Arthur e Alice

Arthur e Alice moram num pequeno apartamento que fica na Av. Tiradentes, próximo ao Banco do Brasil, centro da cidade. Decidiram morar juntos desde o tempo da faculdade, quando se conheceram. Foi paixão a primeira vista. Arthur era um rapaz tímido, desastrado, educado, inteligente, que conversava sobre cinema e assuntos de entretenimento. Alice era apaixonante por seu jeito calmo e o modo como conversava. Gostava de arte, Chico Buarque e tomar coca-cola enquanto lia. Todos diziam, incluindo os professores, que a história deles já estava escrita, só faltavam se conhecerem. Durantes as aulas trocavam bilhetinhos apaixonados, olhares, beijos, sorrisos e ideias que contribuíssem no trabalho. Pareciam duas crianças felizes tomando soverte enquanto assistiam desenho. Nunca se cansavam. Muito diferente do momento que se encontram agora.

Como o tempo de faculdade chega ao fim e cada um deve seguir seu destino após esse tempo, Arthur e Alice se imaginaram distante um do outro e sentiram saudade ao se despedirem. Arthur convenceu Alice de não voltar para casa de seus pais e lhe fez o convite para irem morar juntos em um apartamento. Alice aceitou, pois sentiria falta de alguém ao lado durante o dia. Só não imaginou que o dia a dia virasse uma rotina enjoada após um ano e três meses de convivência. Em tão pouco tempo juntos, o amor que sentiam chegou ao ponto em que a rotina cria o tédio, o tédio cria o cansaço, e o cansaço carrega inúmeras possibilidades de acabar com um relacionamento.

Alice, debruçada na janela, observava o engarrafamento na Av. Tiradentes. Suspirava e tentava pensar em algo legal para fazer naquele fim de tarde. Arthur, deitado na cama, tentava se concentrar na leitura de seu livro. O que não estava acontecendo... logo desistiu. Ficou observando Alice.

- Alice, não vem deitar?

- Acabei de sair daí, vim respirar um pouco.

- [...]

- Acho que deveríamos dar um tempo – disse Alice, aflita e com um raciocínio que exigia um esforço para pensar nas coisas que dizia. O que fez com que Arthur ficasse calado por sete segundos. Também estava com o raciocínio fraco.

- Por quê? Tu não me amas mais?

- Deixa de ser idiota, não é isso.

- O que é então? Sexo? Eu não consigo mais ti comer como antes?

- Porra Arthur, que indelicadeza, vai-te-fuder. Só pensei que poderia ficar um tempo sozinha.

Alice foi para o banheiro e se trancou. Ficou com um choro seco preso na garganta, imaginando que as coisas tinham chegado ao fim. Arthur, nervoso com o que disse, se levantou meio atrapalhado e caiu, dando de testa no chão. Caiu tão violentamente que Alice ouviu o barulho e se assustou.

- Amor, eu me bati. Tá doendo. Me desculpa.

Alice, ao ouvir as tais palavras, não sabia se ria ou se chorava, sentia raiva de tudo, mas sabia que logo passava. Percebeu que as coisas às vezes precisam ser entediantes/enjoadas/tristes/cansativas para depois ficarem animadas. E que se fosse embora, quem iria lhe fazer rir e quem iria cuidar do desastrado do Arthur? Como já disseram, a história deles já estava escrita.

*Tá bom, eu sei que é meio brega o que escrevi, mas imaginei como um relacionamento pode passar por um momento entediante numa forma divertida. Afinal, se um casal se gosta tanto, devem perceber as pequenas idiotices que podem fazê-los se separarem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

No meio do caminho tinha uma flor...

“Quero viver ao lado da mais linda flor para sentir que sou feliz ao seu lado”, disse Roberto diante das flores do jardim. O tempo estava calmo e fazia uma manhã linda, como há muito tempo não fazia. O ar estava frio e Roberto sentia-o pelo cheiro das flores. Respirava fundo. Há seis dias ele passava as manhãs procurando algo que lhe confortasse e o cheiro das flores lhe dava esse prazer. Era o mesmo jardim em que passava correndo quando era uma criança agitada e feliz. Escolhia as mais lindas flores e levava com carinho para presentear sua mãe ao chegar em casa. “Te amo mãe. Essa flor foi o vento que trouxe junto com a chuva”. A mãe de Roberto segurava o choro que era difícil de perceber em seus olhos. Durante a janta ficava observando a sensibilidade que seu filho tinha para com as belas coisas da vida.

Todas as lembranças vinham à mente de Roberto lhe trazendo uma sensação boa para escolher as belas flores. As mais feias deixava escapar de seus olhares, devia ser por pena ou por não saber amá-las, mas sorria para elas com simpatia. Pois não sabia despreza. Regava as que sentiam sede e lhe dava sombra quando precisava. Aprendeu a cuidar delas com sua avó quando criança. “Um dia saberá por que cuido bem das flores e terá uma que dedicará uma paixão especial para não deixá-la ir embora”, Roberto não entendeu as palavras de sua avó. Entendeu o sentido, muito tempo depois, quando conheceu Beatriz.

A vitamina que colocava na água para regar as flores havia acabado e Roberto achou melhor comprar quando sentiu falta disso. “Elas devem sentir falta disso assim como eu sinto falta de algo”, pensou antes de ir até a floricultura mais próxima. Ao entrar, se aproximou do balcão e foi surpreendido por uma beleza que fez com que o ar do ambiente ficasse registrado em seus pensamentos. “Posso lhe ajudar”, disse Beatriz. Por ironia do destino, as flores sempre fizeram com que Roberto se sentisse feliz. Elas souberam lhe retribuir todo o carinho que sentia por elas, e em meio a tudo isso acharam melhor recompensar com um presente que partilhasse do mesmo gosto. As flores sabem amar também.

Hoje, sempre quando Roberto está no jardim, retribui o presente que ganhou. Passou a ter novos prazeres. Cozinha, escreve, joga pedrinhas no lago e dormi em baixo da árvore lendo. A vida é simples demais e aprendeu com sua avó a alimentar uma paixão para que ela lhe fizesse bem. Poderia ter rejeitado as flores, mas como pode fazer uma coisa dessas quando já faz parte da sua vida. Roberto sabia que as flores são para amá-las.


Para Luciana Porto, com carinho.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tiago a criança que não sabe se defender!

O que seria da minha vida sem um amigo. Essa história é bem legal, saiu da imaginação da carol:

Eu apresento a história: "Tiago a criança que não sabe se defender!"
Tiago é um menino de classe média, totalmente capitalista e criado em prédio, que está simplesmente apreciando a vista da bela cidade. Quando se aproxima este rapaz na tentativa de fazer mal a essa pobre criança.
Pobre Tiago! :(

Mas como eu já disse, Tiago é um menino idiota que não sabe quando o mal se aproxima!!!
Perceba, por favor, a inocência de nossa criança. Vamos ajudar o Tiago?

Com a sua vubração positiva nosso protagonista percebeu o que estava acontecendo ao seu redor, parou de pensar na louca e se defendeu do inimigo, que espertamente disfarçou.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Dois desconhecidos tentando encontrar algo legal em uma noite de natal.

– Sempre rasgo as folhas de papel quando não me vêem nenhum pensamento a mente. Olho para outra folha em branco e me certifico de que apenas o vazio me ocupa. Era bem melhor ter aprendido tocar algum instrumento ao invés de me arrisca na arte da escrita.

Ronaldo era meio descrente com as coisas. Tornava impossível e complicada cada situação que fizesse parte de seu trabalho. Sua cara de perdedor lhe ajudava a ter mais certeza de que nunca conseguiria terminar uma lauda para as coisas que tentava escrever. Seu vício era outro mal, lhe afundava nas duvidas e na certeza de ser um grande perdedor. Palavras lindas nunca faziam parte de seus pensamentos.  De sua mente só brotava complicações e um ódio que sentia por nunca passar de um parágrafo. Nada era tão simples.  Toda essa perda só lhe frustrava cada vez mais.

Era véspera de natal, e enquanto todos comemoravam felizes, Ronaldo não tinha nada de emocionante a comemorar. Só tinha folhas em branco a ser preenchidas por palavras. Tentou escrever um poema decente:

"A chuva molha as raízes das plantas.
Meu corpo fica seco,
Perco apenas para as flores.
Meus olhos escurecem.
Sinto falta de outro olhar."

Ronaldo não sabia, mas essas palavras foram tão simples que conquistaram Barbara.

Barbara vivia a perda de um grande amor. Teve inúmeros relacionamentos com caras que nunca a fizeram feliz. Passava noites em claro a espera de um telefonema para lhe confortar. Se afundava num choro seco e silencioso todas as manhãs. Como não tinha resultado de suas paixões, passou a escrever sobre suas frustrações. Era meio boba a forma como Barbara lhe dava com as palavras, mas elas tinham uma força tão verdadeira. A partir das palavras que lhe sufocavam, achou melhor gritá-las em uma folha em branco. Passou a escrever para os perdedores.

O primeiro contato que Barbara teve com Ronaldo foi através de um poema tosco com o qual se identificou. Achou sincera a forma de como uma frustração poderia atingir outra pessoa. Foi quando se certificou de que não estava sozinha.

“Olá, gostei do seu poema tosco. Pareceu tão verdadeiro para mim. Feliz natal. Beijos.”

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Única forma de tranquilizar a vontade de se apaixonar por algo.



Queria escrever algo novamente para essa canção, me sinto bem com ela. Agora, ficar ouvindo imagino muito mais do que se parasse para escrever. Uma das mais lindas canções que ouvir. Ela me inspirou e conseguir escrever isso: Vai a onda Vem a nuvem

domingo, 11 de setembro de 2011

Anne

Dez anos depois volto a pensar em Anne. Tenho pensado bastante nela esses dias desde que vi as notícias da televisão relembrar o atentado de onze de setembro, o que me fez voltar ao passado. Fico me perguntado se ela está viva ou morta, se casou, se continua linda encantando outros homens ou se encontrou o seu destino como sempre dizia. Eu realmente a amava. Sei que seguimos caminhos diferentes agora, mas só de relembrar o que aconteceu naquela madrugada, sinto que ainda há algo perturbador dentro de mim. O que parecia ser uma ficção acabou se tornando um verdadeiro fato histórico.

Eram três e vinte sete da madrugada quando Anne atravessou meus pensamentos e deitou na cama junto comigo. Acordei com seu cheiro invadindo minha respiração que imobilizava todos meus sentidos. Um cheiro doce de rosas do campo. Ela passava seu fino rosto no meu, colava seus lábios nos meus olhos e escorregava sua delicada mão sobre minha barba. Perdi totalmente o controle para sua sedução.

– Como você conseguiu entrar aqui? – perguntei.

– Pedi para o porteiro, ele me reconheceu.

– Porque as pessoas ainda acreditam na beleza humana. Você poderia ser uma bela assassina de um filme noir.

– Não tenho tanta sorte de contracenar num papel desses.

– E porque veio até aqui. Não disse que não queria mais me vê.

– Disse, mas senti sua falta. Abrace-me bem forte.

– Estamos cometendo o erro que não queríamos. Devemos nos afastar.

– Sei disso, por isso estou aqui.

Anne foi minha primeira mulher na fase adulta, a que fez com que eu quebrasse minha promessa de quando criança. Havia prometido a mim mesmo que nunca iria ter um relacionamento. Iria me apaixonar pelas lindas mulheres sem fazê-las sofrer. Que promessa ridícula. Acho que devido ao amadurecimento vamos perdendo as coisas que nos comprometemos no passado. Só conseguir perceber isso agora, dez anos depois. Aquela madrugada de onze de setembro parecia não ter existido em minha vida até o amanhecer, quando atendi ao telefone. Anne se despediu de mim e me fez acreditar na realidade. Liguei a televisão e assistir o avião se chocar no World Trade Center, o momento que me certifiquei que tudo era verdade.